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AETHERIA evolui: do fim do ‘labirinto’ ao historial clínico conectado

AETHERIA evolui: do fim do ‘labirinto’ ao historial clínico conectado

Todos os dias, o setor da saúde gera uma enorme quantidade de informação, mas grande parte desse fluxo continua dispersa por um mosaico de relatórios, imagens, exames diagnósticos, sistemas e centros que nem sempre comunicam entre si. É nesse cenário que surge a AETHERIA, o projeto impulsionado pela Izertis para enfrentar um dos grandes desafios do setor: conseguir que os dados clínicos possam ser reunidos, interpretados e partilhados de forma segura, interoperável e verdadeiramente útil para pacientes e profissionais.

Apoiada em inteligência artificial, padronização de dados e Espaços de Dados de Saúde, a plataforma propõe uma nova forma de gerir a informação médica: mais conectada, mais ágil e mais próxima das necessidades reais do sistema de saúde. O objetivo vai para além de organizar historiais dispersos: trata-se de converter esse volume de informação em conhecimento acionável, disponível quando necessário e sob o controlo de quem o gera.

Barreiras para uma informação médica conectada

O percurso de saúde de uma pessoa é frequentemente marcado por múltiplos pontos de contacto com o sistema: mudanças de hospital, consultas em centros públicos e privados, exames realizados em laboratórios externos, assistência noutra região autónoma ou mesmo noutros países. Cada uma dessas etapas deixa um rasto informativo que, em demasiadas ocasiões, não se integra bem com o resto.

O resultado é um historial clínico fragmentado, construído com base em relatórios em PDF, imagens, notas isoladas ou bases de dados que nem sempre comunicam entre si, e que obrigam os profissionais a investir tempo na reconstrução de uma visão completa do paciente.

A fragmentação no sistema de saúde complicar o cuidado e introduz ineficiências

Quando a informação não está disponível de forma imediata e estruturada, aumentam as probabilidades de repetir exames, perder o contexto clínico ou tomar decisões com uma visão parcial.

E tudo isto ocorre num setor já sob tensão, onde a pressão assistencial, o envelhecimento da população e a crescente complexidade dos casos tornam ainda mais necessário, se é que isso é possível, dispor de ferramentas que reduzam a carga administrativa e permitam dedicar mais tempo a cuidados de qualidade.

IA e dados estandardizados para aproveitar melhor a informação

AETHERIA parte precisamente dessa necessidade para propor uma solução baseada em duas grandes capacidades: converter a informação médica num formato normalizado e dotá-la de inteligência para que possa ser consultada, interpretada e reutilizada com maior facilidade.

Nesse sentido, a aplicação da norma HL7 FHIR permite transformar documentos clínicos heterogéneos em dados estruturados e compreensíveis para sistemas automatizados, facilitando tanto a sua partilha como a sua posterior exploração. Isto representa um avanço significativo, pois deixa para trás o modelo puramente documental e abre a porta a um ambiente em que a informação pode circular com maior agilidade e precisão entre os diferentes intervenientes do ecossistema de saúde.

A essa camada de padronização junta-se o valor da inteligência artificial, que permite ir um passo além. Não se trata apenas de organizar dados, mas de possibilitar uma relação muito mais dinâmica com os mesmos.

Os modelos de IA e os agentes conversacionais permitem ir um passo além

Graças a modelos de IA e a agentes conversacionais, AETHERIA apresenta cenários em que um profissional pode consultar rapidamente alergias, acompanhar a evolução de um tratamento, localizar resultados específicos num historial extenso ou gerar resumos clínicos de utilidade imediata.

Paralelamente, estas capacidades permitem também explorar utilizações mais avançadas, como a deteção de padrões, o apoio à tomada de decisões ou a geração de hipóteses clínicas que ajudem a orientar melhor os cuidados de saúde.

Os dados partilhados, chave para conectar a saúde

Embora a padronização tenha o potencial de resolver grande parte dos desafios, por si só não resolve o problema fundamental. Para que a informação médica possa circular com segurança entre diferentes organizações, é necessário um quadro de intercâmbio que garanta a rastreabilidade, o controlo e o cumprimento normativo. É aí que ganham destaque os Espaços de Dados de Saúde, concebidos como ambientes colaborativos nos quais hospitais, centros de investigação, administrações e outros agentes podem partilhar informação de forma regulamentada e com regras comuns.

AETHERIA insere-se nesta lógica através de conectores desenhados para trabalhar nesses ambientes, recorrendo a tecnologias como o Eclipse DataSpaces para garantir que o fluxo de informação seja interoperável, seguro e verificável.

Izertis aderiu recentemente ao espaço de dados da OHSIRIS

Esta abordagem revela-se especialmente relevante num setor como o da saúde, onde a confiança no tratamento dos dados é tão importante quanto a própria capacidade técnica para os processar.

Neste contexto, iniciativas como a OHSIRIS, impulsionada pela FISEVI e à qual a Izertis aderiu recentemente, reforçam a visão de um ecossistema em que os dados deixam de estar isolados para se tornarem uma infraestrutura partilhada ao serviço de uma melhor prestação de cuidados.

AETHERIA, em fase de maturidade tecnológica

Após meses de trabalho, a AETHERIA atingiu um nível de desenvolvimento que permite começar a avaliar não só a sua viabilidade técnica, mas também o seu potencial transformador. A padronização da informação clínica já é uma realidade operacional, os chatbots e os modelos de IA estão a ser testados com dados estruturados e os conectores para Espaços de Dados estão a servir para validar a troca de dados em ambientes cada vez mais próximos de cenários reais. 

Tudo isto confirma que a AETHERIA avança na direção certa: rumo a um modelo de saúde em que os dados clínicos deixam de ser um conjunto de documentos dispersos para se tornarem um ativo útil, interoperável e governado. Um modelo em que o paciente ganha controlo sobre a sua informação, os profissionais dispõem de mais contexto para tomar melhores decisões e o sistema de saúde melhora a sua capacidade de coordenação, eficiência e resposta.

AETHERIA já se encontra em fase de maturidade tecnológica após meses de trabalho

Apoio público e impulso à inovação

O projeto AETHERIA é financiado pelo Ministério da Transformação Digital e da Função Pública de Espanha, pelo Plano de Recuperação, Transformação e Resiliência e pela União Europeia – Next Generation EU, no âmbito do concurso de 2024 para subvenções destinadas a produtos e serviços tecnológicos para espaços de dados. 

Com um orçamento total de 894 434 euros e um prazo de execução até junho de 2026, o projeto reforça o posicionamento da Izertis como referência no desenvolvimento de soluções de IA aplicadas à saúde, em colaboração com a TECNALIA como entidade subcontratada.

 


 


 

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